A história da Associação de Natação Centro Norte de Portugal (ANCNP) confunde-se com a própria evolução da natação organizada nos distritos de Aveiro e Viseu, refletindo mais de um século de prática aquática, associativismo desportivo e serviço público ao desporto.
Os primeiros registos conhecidos de atividades e competições aquáticas no distrito de Aveiro remontam aos anos de 1907 e 1908, conforme documentado no Almanaque Desportivo do Distrito de Aveiro de 1950. Estes acontecimentos assinalam o início de uma tradição que se desenvolveu inicialmente em águas abertas, rios, canais e zonas costeiras, muito antes da existência de piscinas regulamentadas.
Na década de 1920, a prática da natação ganha maior expressão. Em 1922 são referidas braçadas organizadas no Canal das Pirâmides, em Aveiro, envolvendo pioneiros como Mário Duarte (filho). Em 1923 realiza-se uma das provas mais marcantes da história regional: a Travessia de São Jacinto–Aveiro, em estilo livre, numa distância aproximada de 10 quilómetros, vencida por Tobias de Lemos, do Clube dos Galitos. Esta travessia tornar-se-ia um símbolo maior da natação de fundo na região.
A década de 1930 marca um período de consolidação infraestrutural. Em 1934 é inaugurada a Piscina Paraíso, em Aveiro, e em 1936 a Curia acolhe os Campeonatos Nacionais de Natação, facto que projeta a região para o panorama nacional. Neste período, a natação passa progressivamente das águas naturais para espaços dedicados e organizados.
Entre 1938 e 1940 surgem referências consistentes à Associação Aveirense de Natação, entidade que agregava clubes como o Sport Clube Beira-Mar, o Curia Palace Sports Club e o Grupo Desportivo Vista Alegre. Ainda que não esteja plenamente esclarecido se a associação formal existia antes de 1938, é seguro afirmar que, a partir dessa data, a coordenação regional da modalidade estava estruturada. São também destes anos as Provas Inter-Regiões, realizadas no Canal Central de Aveiro e em zonas fluviais, envolvendo associações de Porto, Coimbra e Aveiro.
Durante as décadas de 1940 e início de 1950, a natação regional conheceu períodos de expansão e de retração, acompanhando as condições económicas e sociais do país. Clubes como o Sporting Clube de Espinho, Recreio Desportivo de Águeda, Sport Marítimo Murtoense, Escola Livre de Azeméis e outros passaram a integrar a dinâmica competitiva da Associação de Natação de Aveiro, designação que se afirma progressivamente neste período.
O ano de 1955 representa um verdadeiro ponto de viragem. Nesse ano retoma-se a Travessia de São Jacinto–Aveiro, interrompida desde 1923, destacando-se nadadores como Eduardo Raposo Rodrigues de Sousa (Atita). Em abril de 1955 inicia-se a construção do Tanque-Piscina do Sport Clube Beira-Mar, com forte envolvimento da população aveirense. Ainda nesse ano, em 20 e 21 de agosto, realizam-se os Campeonatos Regionais de Natação na Piscina Fluvial do Sport Algés e Águeda, com a participação do Beira-Mar, Galitos, Recreio de Águeda, Sport Algés e Águeda e Escola Livre, conforme noticiado pelo Jornal Litoral.
A segunda metade da década de 1950 fica também marcada por figuras incontornáveis da natação regional e nacional. Domingos Calisto realiza, em 1956, a travessia São Jacinto–Aveiro aos 50 anos de idade. Em 1957, Vasco Neto da Naia conquista o título nacional nos 200 metros bruços, devolvendo prestígio competitivo à natação aveirense. Estes nomes juntam-se a outros históricos como Tobias de Lemos, afirmando uma linhagem de nadadores de referência.
Nas décadas seguintes, Aveiro afirma-se como verdadeira “Cidade dos Desportos da Água”, acolhendo provas nacionais, internacionais e intercâmbios desportivos, beneficiando das piscinas da Curia, Luso e, mais tarde, de novas infraestruturas urbanas.
Um momento estruturante ocorre a 7 de outubro de 1975, com a realização da primeira reunião oficial da Comissão de Natação da Associação de Desportos de Aveiro. Esta comissão integrou Jorge Severino Silva e Nuno Goutier Neto na Secção Administrativa, e Manuel Tenreiro e João José Costa Lobo na Secção Técnica. A prática da natação estava então concentrada no Sporting Club de Aveiro e no Sport Algés e Águeda, sendo progressivamente alargada ao Clube dos Galitos e ao Centro Desportivo de São Bernardo. Foram também promovidas diligências em Santa Maria de Lamas, Espinho e São João da Madeira, com forte apoio do programa “De Todos” da Direção-Geral dos Desportos, através de festivais escolares e intercâmbios competitivos.
Este trabalho culmina na fundação oficial da Associação de Natação de Aveiro, em 14 de fevereiro de 1980, entidade que passa a assumir a governação formal da modalidade no distrito. A partir daí, a associação conhece um crescimento sustentado, tanto em número de clubes como em diversidade de disciplinas.
A ligação ao distrito de Viseu começa a ganhar expressão no início da década de 1990. Em 1991, o CAF Viseu, atualmente Académico de Viseu, já participava regularmente em campeonatos regionais. Em fevereiro de 2000, a filiação da Santa Casa da Misericórdia de Viseu consolida definitivamente a presença viseense na estrutura associativa.
No plano competitivo nacional, destaca-se a realização dos Campeonatos Nacionais Absolutos de Portugal no Complexo Exterior de Piscinas de 50 metros de Aveiro, nos dias 6, 7, 8 e 9 de agosto de 1992. Estas piscinas voltariam a acolher competições nacionais até 2007, ano em que ali se realizaram os últimos Campeonatos Nacionais, antes do encerramento do complexo — uma perda profunda para a região de Aveiro. Nesse mesmo ano de 2007, Aveiro recebeu a visita de Mustapha Larfaoui, então Presidente da FINA, durante o Open de Portugal e os Campeonatos Nacionais de Juvenis e Absolutos.
Em 6 de março de 2015, refletindo uma realidade já existente há vários anos, a associação altera oficialmente a sua designação para Associação de Natação Centro Norte de Portugal, integrando formalmente os distritos de Aveiro e Viseu.
Ao longo da sua história, a ANCNP tem desenvolvido e regulamentado várias disciplinas: Natação Pura, Águas Abertas, Natação Artística, Pólo Aquático e, mais recentemente, Natação Adaptada. A partir de 2015, a associação deixa de contar com clubes filiados em pólo aquático, iniciando simultaneamente a implementação e crescimento da natação adaptada, afirmando um forte compromisso com a inclusão.
Nos tempos contemporâneos, a ANCNP orgulha-se de ter formado e enquadrado atletas de projeção internacional, entre os quais os olímpicos Diogo Filipe Carvalho e Ana Pinho Rodrigues, bem como os atletas paralímpicos Ivo Rocha e Marco Meneses.
Atualmente, a Associação de Natação Centro Norte de Portugal representa dezenas de clubes, milhares de atletas federados e um vasto conjunto de treinadores, dirigentes e árbitros, mantendo viva uma herança construída ao longo de mais de um século de história aquática, desportiva e humana.